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Análise pós-lançamento: o que avaliar para o próximo ciclo

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Análise pós-lançamento: o que avaliar para o próximo ciclo

O carrinho fechou. Os números de faturamento estão na tela. A equipe está exausta. E agora? Para a maioria dos infoprodutores, o pós-lançamento se resume a comemorar (ou lamentar) o resultado e partir para o próximo projeto. Mas é justamente nesse momento — quando os dados estão frescos e as memórias ainda são nítidas — que acontece o trabalho mais valioso de todo o ciclo.

Uma análise pós-lançamento bem estruturada pode ser a diferença entre repetir os mesmos erros indefinidamente e construir um processo de melhoria contínua que multiplica resultados a cada ciclo. Neste artigo, vamos apresentar um framework completo para conduzir essa análise com profundidade e objetividade.

Por que a análise pós-lançamento é negligenciada

Antes de entrarmos no “como”, vale entender por que tão poucos profissionais fazem esse trabalho de forma consistente:

  • Esgotamento emocional: após semanas de pressão intensa, a última coisa que a equipe quer é analisar planilhas.
  • Viés de resultado: se o lançamento bateu a meta, a tendência é assumir que tudo funcionou. Se não bateu, a tendência é culpar fatores externos.
  • Falta de processo: sem um template estruturado, a análise vira uma conversa vaga que não gera ações concretas.

A solução é simples: agende o debriefing com antecedência, tenha um template pronto e trate esse momento como parte obrigatória do processo de lançamento — não como um bônus opcional.

Quando realizar o debriefing

O timing ideal é entre 5 e 10 dias úteis após o fechamento do carrinho. Esse intervalo permite que:

  • Todas as transações sejam processadas (incluindo boletos compensados e chargebacks iniciais)
  • Os dados de atribuição estejam consolidados
  • A equipe tenha descansado o suficiente para analisar com clareza
  • As memórias ainda estejam frescas o bastante para contexto qualitativo

Framework de análise pós-lançamento em 7 etapas

Etapa 1: Consolidar os números finais

Antes de qualquer análise, reúna todos os dados em um único documento. Os números fundamentais são:

Métricas de captação:

  • Total de leads captados no lançamento: ex. 14.800
  • Custo por lead (CPL): ex. R$ 4,20
  • Taxa de conversão da página de captura: ex. 38%
  • Leads por fonte de tráfego (usando UTMs)

Métricas de engajamento:

  • Taxa de abertura dos e-mails da sequência: ex. E-mail 1: 52%, E-mail 5: 31%, E-mail 8: 24%
  • Taxa de presença no evento ao vivo: ex. 32% dos inscritos
  • Pico de audiência simultânea: ex. 2.340 pessoas
  • Engajamento no chat/comentários: ex. 890 mensagens durante a live

Métricas de conversão:

  • Total de vendas: ex. 312
  • Faturamento bruto: ex. R$ 374.400
  • Faturamento líquido (após taxas e reembolsos): ex. R$ 341.880
  • Taxa de conversão geral (vendas/leads): ex. 2,1%
  • Taxa de conversão dos presentes no evento: ex. 6,8%
  • Ticket médio: ex. R$ 1.200
  • Reembolsos nos primeiros 7 dias: ex. 4,2%

Métricas de investimento:

  • Investimento total em tráfego pago: ex. R$ 62.160
  • Investimento em ferramentas e infraestrutura: ex. R$ 3.800
  • Investimento em equipe/freelancers: ex. R$ 12.000
  • ROAS (Return on Ad Spend): ex. 6,03
  • ROI geral do lançamento: ex. 338%

Etapa 2: Comparar planejado versus realizado

Com os números consolidados, crie uma tabela comparativa entre o que foi projetado e o que de fato aconteceu:

MétricaPlanejadoRealizadoVariação
Leads captados18.00014.800-17,8%
CPLR$ 3,50R$ 4,20+20%
Taxa de presença40%32%-20%
Vendas400312-22%
FaturamentoR$ 480.000R$ 374.400-22%
ROAS8,06,03-24,6%

Essa comparação revela onde as premissas estavam erradas. No exemplo acima, o problema não foi a conversão em si (que ficou próxima do planejado em termos percentuais), mas sim a captação de leads e a presença no evento — indicando que o aquecimento e a estratégia de confirmação precisam ser revisados.

Etapa 3: Identificar os criativos vencedores

Analise o desempenho de cada criativo de anúncio, e-mail e conteúdo orgânico:

  • Top 3 anúncios por conversão: liste os criativos que geraram mais vendas atribuídas (não apenas cliques). Em muitos lançamentos, o anúncio com mais cliques não é o que gera mais vendas.
  • E-mails com melhor performance: identifique quais assuntos, formatos e horários de envio tiveram melhores taxas de abertura e clique. Um dado típico: e-mails enviados às 7h da manhã tiveram 23% mais aberturas que os enviados às 20h.
  • Conteúdos orgânicos que geraram tráfego: quais posts, reels ou vídeos orgânicos efetivamente trouxeram tráfego para a página de captura?

Documente os criativos campeões com screenshots, copies e métricas. Eles serão o ponto de partida para o próximo lançamento.

Etapa 4: Mapear a jornada do comprador

Uma das análises mais reveladoras é reconstruir a jornada típica de quem comprou:

  • Quantos touchpoints antes da compra: em média, compradores tiveram contato com 7,3 pontos de contato antes de converter.
  • Tempo entre primeiro contato e compra: a mediana foi de 12 dias, mas 18% dos compradores já eram leads de lançamentos anteriores.
  • Canal de última interação antes da compra: 41% via e-mail, 28% via remarketing no Meta Ads, 19% via WhatsApp/Telegram, 12% via acesso direto.
  • Momento da compra no ciclo de carrinho aberto: 34% compraram nas primeiras 12 horas, 22% no meio do período e 44% nas últimas 24 horas.

Esses dados informam diretamente a estratégia de comunicação do próximo ciclo. Se 44% das vendas acontecem nas últimas 24 horas, a sequência de e-mails de urgência precisa ser impecável.

Etapa 5: Analisar o que não funcionou

Tão importante quanto celebrar as vitórias é documentar as falhas com honestidade:

  • Campanhas que não performaram: aquele público de interesses que parecia promissor mas entregou CPL de R$ 9,80 contra a média de R$ 4,20.
  • Conteúdos que não engajaram: o CPL 2 em formato de aula longa que teve 60% de abandono nos primeiros 10 minutos.
  • Problemas técnicos: a página de checkout que ficou fora do ar por 45 minutos no primeiro dia de carrinho aberto, resultando em uma estimativa de 15 a 20 vendas perdidas.
  • Falhas de comunicação: o e-mail de abertura de carrinho que foi enviado com o link errado para 8.200 contatos.

Não procure culpados — procure processos que falharam e podem ser melhorados.

Etapa 6: Coletar feedback qualitativo

Dados quantitativos contam o “quê” — dados qualitativos explicam o “porquê”:

  • Pesquisa com compradores: envie um formulário simples perguntando o que motivou a compra, qual conteúdo foi mais decisivo e o que quase impediu a compra. Uma taxa de resposta de 15% a 25% é esperada se o formulário for curto.
  • Pesquisa com não-compradores: pergunte aos leads que não converteram qual foi o principal motivo. Respostas comuns incluem preço, timing, dúvidas sobre o conteúdo e falta de confiança.
  • Feedback da equipe: cada membro do time tem uma perspectiva única. O gestor de tráfego percebeu tendências de custo, o copywriter notou quais argumentos geraram mais respostas, o suporte identificou as objeções mais frequentes.

Etapa 7: Documentar aprendizados e ações

O último passo — e o mais importante — é transformar toda essa análise em ações concretas para o próximo ciclo. Use o seguinte formato:

Aprendizado: A taxa de presença ficou 20% abaixo do planejado. Causa provável: Sequência de confirmação com apenas 2 e-mails e sem mensagem por WhatsApp. Ação para o próximo ciclo: Implementar sequência de 5 touchpoints de confirmação (3 e-mails + 1 WhatsApp + 1 SMS) começando 48h antes do evento.

Aprendizado: Lookalike de compradores teve ROAS 2,4x maior que público de interesses. Causa provável: Base de compradores é qualificada e o algoritmo encontra perfis semelhantes com alta precisão. Ação para o próximo ciclo: Alocar 70% da verba de tráfego frio em lookalikes de compradores e reduzir públicos de interesse para apenas teste.

Checklist completo de debriefing pós-lançamento

Para facilitar a implementação, aqui está um checklist que você pode usar diretamente:

  • Consolidar todos os dados financeiros (faturamento bruto, líquido, investimentos)
  • Preencher tabela comparativa planejado vs. realizado
  • Exportar relatórios de Meta Ads, Google Analytics e plataforma de e-mail
  • Identificar top 5 criativos/anúncios por conversão
  • Identificar top 5 e-mails por taxa de abertura e clique
  • Mapear jornada do comprador (touchpoints, tempo, canal final)
  • Documentar distribuição de vendas ao longo do período de carrinho
  • Listar todos os problemas técnicos ocorridos e seu impacto estimado
  • Enviar pesquisa de feedback para compradores
  • Enviar pesquisa para leads que não compraram
  • Realizar reunião de debriefing com toda a equipe
  • Documentar no mínimo 10 aprendizados com ações concretas
  • Arquivar criativos campeões em pasta organizada
  • Atualizar SOPs (procedimentos operacionais) com base nos aprendizados
  • Definir metas preliminares para o próximo ciclo

Conclusão: o lançamento só termina quando o debriefing acontece

A análise pós-lançamento não é um luxo — é o investimento de maior retorno que você pode fazer para o seu próximo ciclo. Lançadores que documentam aprendizados de forma estruturada tipicamente apresentam um crescimento de 20% a 40% em faturamento entre um lançamento e outro, simplesmente por não repetir erros e escalar o que já funcionou.

Crie o compromisso de nunca pular essa etapa. Agende o debriefing antes mesmo de começar o lançamento. Tenha o template pronto. E trate os dados com o respeito que eles merecem.

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